Moda! Meu cérebro talvez dê um giro de 360º toda vez que me deparo com essa palavra perniciosa. O que há em seu conceito; sua atitude; seu poder; sua lógica? Ultimamente a moda tem me cativado; tenho sido fiel a programas de TV, blogs e revistas, contudo, uma coisa me cativa mais do que a moda: as letras. Assim, faço uso de um velho amigo, de todas as horas, para buscar o que me possa esclarecer sobre moda:
“sf. [substantivo feminino] 1. Uso, hábito ou estilo geralmente aceito, variável no tempo, e resultante de determinado gosto, meio social, região, etc. 2. Uso passageiro que regula a forma de vestir, etc. 3. Arte e técnica do vestiário.”(Dicionário Aurélio).
Um dicionário não é suficiente para trazer à luz nenhum conceito sobre coisa alguma. Ele nos serve de guia, ou de ponto de partida. Resta-me, então, uma vez que tenho o que a palavra “moda” significa, buscar seu uso; no seu meio cotidiano, na sua manifestação enquanto entidade que vive a nos impulsionar.
Moda não precisa ser um deus, um ditador ou coisa parecida. Na verdade, cada vez mais, percebo que a moda, a despeito do que se propaga, não dita coisa alguma, mas, sim, serve a conceitos, ideais; é a conversão dos desejos e da atitude de quem faz uso dela para a vestimenta. Vestimenta?! Moda deixou de significar só roupas há muito tempo. Se é que algum dia já significou só indumentária.
A moda, como tudo que vem do humano, segue um curso cíclico: de forma a imitar uma espiral. Como Aristóteles já havia dito. A moda, como tudo o que vem do humano, não deixa de servir à repetição, ao passado que a gerou. Mas ela se renova e não se encerra no encontro das duas pontas de um círculo perfeito e acabado. Tal encontro jamais ocorre. Antes, a moda segue seu curso, indefinido e cambaleante, servindo aqui e ali, às tendências, que são os desejos mais íntimos do nosso interior que nem conhecemos. Daí, vem a glória dos estilistas: conhecer os desejos ainda internalizados de uma geração e os lançar numa luxuosa semana de moda. A moda, como uma era, tem seu estado de princípio, seu estado de graça e a sua escatologia; adormece, como um deus não cultuado até que possa acordar numa nova safra além-tempo.
Assim, no meio do giro que faz meu cérebro estou na busca por um chão de onde possa encontrar um norte, contudo, é-me muito mais saboroso achar-me perdido neste furacão de vestidos esvoaçantes, cabeleiras vastas, saltos, alta costura, cores, moldes, tendências, espetáculos... E me jogar nesta passarela pra lá de longa, a fim de me libertar, e a todos os bons que vierem juntos, da tal da Doce Cabanna (com dois n’s) que tanto nos persegue.
*Imagem: Tubinho (básico!), em alumínio, do estilista espanhol Paco Rabanne um dos envolvidos na rebelde moda da década de 1960.
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